Vereador do PT diz que ações pontuais são importantes, mas alerta que falta de continuidade compromete controle da epidemia
O cenário de avanço da chikungunya na Reserva Indígena de Dourados (RID), com mais de 600 casos registrados e cinco mortes confirmadas, incluindo a de um bebê nesta semana, evidencia a gravidade da crise sanitária enfrentada na cidade de Dourados e reforça a necessidade de ações mais efetivas do poder público.
A preocupação do parlamentar ocorre em meio ao avanço acelerado da doença e à ausência, neste momento, de ações contínuas de controle de vetores na reserva. Atualmente, os agentes municipais estão concentrados em outras regiões da cidade, onde os casos também crescem, enquanto a quantidade de profissionais é considerada insuficiente. De acordo com o Sindracse, sindicato da categoria, há um déficit de pelo menos 40 agentes de combate a endemias no município.
Na semana passada, um mutirão coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde vistoriou 2.255 moradias em três dias de mobilização na RID. A ação resultou na identificação de 589 focos de larvas do mosquito Aedes aegypti, sendo que cerca de 90% estavam em caixas d’água, lixo, pneus e recipientes com água parada. Também foram realizados tratamentos químicos em 1.156 imóveis e borrifações em áreas específicas.
Apesar dos esforços pontuais, Franklin alerta que a falta de continuidade nas ações compromete o controle da epidemia. “Não adianta fazer uma grande mobilização e depois interromper o trabalho. A situação exige medidas permanentes e emergenciais”, afirma.
O vereador destaca que a coleta de lixo nas aldeias é de responsabilidade do município, mas não ocorre de forma regular, o que contribui diretamente para a proliferação do mosquito transmissor. “Grande parte dos focos está relacionada ao acúmulo de resíduos. É fundamental uma ação imediata de limpeza nas comunidades”, reforça.
Franklin também informou que, em contato com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), foi confirmada a contratação emergencial de 20 agentes de combate a endemias para atuação nos territórios indígenas, por meio da AgSUS. No entanto, ele ressalta que a medida, embora importante, não substitui a responsabilidade do município.
O parlamentar ainda critica a efetividade do decreto de emergência já anunciado. “De nada adianta decretar estado de emergência se a população não percebe ações concretas diante da crise”, pontua.
Por fim, Franklin defende a união de esforços entre município, governo estadual e governo federal para conter o avanço da doença. Como alternativa emergencial, sugere inclusive o acionamento do Exército Brasileiro para apoiar ações de limpeza e logística nas aldeias e informa que esse pedido já foi encaminhado para o Ministério da Casa Civil. “A situação é grave e exige resposta imediata. Precisamos de força-tarefa, estrutura e presença do poder público nas comunidades para evitar que mais vidas sejam perdidas”, conclui.