Intenção do governo federal de vincular Ministério da Assistência Social ao MDA pode representar perdas para o setor avaliamAcompanhados da secretária municipal de Assistência Social, Ledi Ferla, representantes de entidades que prestam serviço na área de assistência social em Dourados estiveram na Câmara para entregar o manifesto "Dourados em defesa da política pública de assistência social" e pedir apoio dos vereadores à causa. O movimento é de nível nacional e deve mobilizar praticamente todos os municípios do país. Eles foram recebidos pelo presidente Idenor Machado (PSDB), pelo presidente da Comissão de Assistência Social Sergio Nogueira (PSDB) e pelos vereadores Pedro Pepa (DEM) e Cirilo Ramão (PMDB), também membro da mesa diretora da Casa. A secretária Ledi Ferla manifestou a preocupação com possível retrocesso na política para o setor a partir de medidas anunciadas pelo governo federal, como a predisposição em vincular os ministérios do Desenvolvimento Social e Desenvolvimento Agrário, "o que pode tirar autonomia da pasta que trata das questões sociais, comprometendo inclusive novos investimentos". "Os vereadores de Dourados têm sido parceiros na construção do Suas [sistema único da assistência social] local e temos certeza que também serão nessa cruzada contra perdas de direitos. Devemos avançar mais e não retroceder", falou Ledi Ferla. "Assistência social não é assistencialismo, é política pública", reforçou, observando que, segundo diagnóstico, Dourados carece de mais oito Centros de Referência de Assistência Social, os Cras, "e mudanças neste momento apenas travariam os avanços". A secretária disse que também há preocupação com a possibilidade de os municípios perderem a gestão do Programa Bolsa Família, que ficaria vinculada às agências da previdência social. "É impossível gerir um programa em âmbito federal, quando é o município que acompanha e tem noção da realidade de cada um". Além da garantia da continuidade do Bolsa Família "sem cortes e que continue sendo gerenciado pelo municípios", o movimento quer garantir a vinculação ao salário-mínimo do BPC (Beneficio de Prestação Continuada" ofertado a pessoa idosa e com deficiência, preconizada na Loas em 1993. Pede ainda respeito e cumprimento do plano decenal – 2016/2026 – de deliberações construídas nas conferências das três esferas de governo e a realização de concurso público. O presidente Idenor Machado disse que a Câmara se mantém parceria das lutas sociais e também condenou a possibilidade de retrocesso nas políticas de assistência social. Para ele, a luta pelo Suas é justa e merece atenção da classe política local."Temos que avançar sempre, jamais retroceder. Afinal, foram anos de trabalho, construindo uma política se mostra viável, prática e que auxilia significativa parcela da sociedade", afirmou, opinando, no entanto, que se há exageros é preciso cortes. Defendeu, inclusive, se for ocaso, o recadastramento para garantir que, de fato, apenas os necessitados continuem recebendo os benefícios.