Por unanimidade os vereadores que usaram da fala após a tribuna livre na sessão ordinária da Câmara de Dourados desta segunda-feira, dia 20, se posicionaram contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/16, do Governo Federal, que trata da reforma da Previdência. A sessão foi presidida pela presidente da Casa, Daniela Hall (PSD).A professora Gleice Jane Barbosa, presidente do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Dourados), ocupou a tribuna livre para falar do assunto. Ela explicou que o projeto prevê que ninguém consiga se aposentar antes do 65 anos e reclamou da equiparação de idade entre homens e mulheres para a aposentadoria. "Isso é a penalização da mulher que ainda não conquistou os seus espaços na sociedade. Não chegamos ainda a 10% de mulheres em cargos com poder de decisão no país", lembrou.A professora afirmou que na educação haverá grandes prejuízos, já que professores com mais de 65 anos já começam a ter problemas graves de saúde. Para ela, com as novas regras muitas pessoas não terão o direito de se aposentar no Brasil.Gleice também questionou sobre o ‘rombo’ na Previdência. "Quem são os responsáveis. Os trabalhadores é que não são", disse. "Tem que cobrar a conta dos devedores e não do povo", acrescentou. A professora também classificou a PEC como maldosa e disse que vai gerar miséria e grande desigualdade social.Para o vice-presidente da Câmara, Sérgio Nogueira (PSDB) o déficit da Previdência é uma falácia. "Há muito tempo os recursos da Previdência estão sendo usados para fins sociais e não os devolveram. Não podemos aceitar. Temos que apelar aos deputados de MS para que não aprovem esse projeto", afirmou.Alan Guedes (DEM) disse que o texto da PEC não pode ser votado da maneira como está. "É hora de unirmos forças contra. O auxilio a doença também não poderá sofrer alteração porque vai penalizar o trabalhador", ressaltou. Lembrou ainda que há muito tempo se fala que a Previdência está quebrada, isso porque o seu dinheiro foi usado para ‘n’ coisas.O vice-presidente da Câmara, Cirilo Ramão (PMDB) acha que reforma da Previdência se faz necessária, porém não da forma como está. "Da maneira como está nós vereadores do PMDB somos contra e temos conversado com os nossos deputados federais neste sentido", afirmou.Para Madson Valente (DEM) a reforma da Previdência compromete a causa dos trabalhadores. "Do jeito que está não concordo com nenhum item, porque todos atingem diretamente o trabalhador", disse e acrescentou: "Fazer o trabalhador trabalhar por 49 anos é uma grande maldade. "O sistema hoje é perverso e exclui o trabalhador do mercado a partir dos 60 anos, quando ele perde o vigor físico. Como ele vai trabalhar?", questiona.Idenor Machado (PSDB) também disse ser contra a PEC. "Esta proposta é como se o trabalhador que está tentando vencer na vida e ao chegar lá no alto cortam-lhe lhe as penas. Aí ele não tem mais forças para lutar", exemplificou. O vereador lembrou ainda que o teto máximo da Previdência, que já chegou a 10 salários mínimos hoje é de pouco mais de R$ 4 mil. "A luta contra essa reforma esdrúxula deve ser uma luta de todos nos", disse.Olavo Sul (PEN) diz que a PEC 287 afeta todos os trabalhadores, inclusive a segurança pública, setor que representa. "Estou me comprometendo a partir de agora a apoiar essa luta", afirmou.Marçal Filho (PSDB) classificou a reforma da Previdência como auxilio funeral. "Quando tiver direito a aposentadoria o dinheiro que receber será usado para o caixão. Os governos que vão passando sempre vão querendo colocar nas costas do aposentado a má gestão. Mas nunca um governo chegou tão perto da crueldade como o atual governo. Sou francamente contrário. E vou apoiar essa luta para que eles ouçam as vozes das ruas", disse.Braz Melo (PSC) lembrou que no ano 2000 o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já havia impedido boa parte dos brasileiros de se aposentara o editar medida que elevou a idade para 65 anos. "Já conversei com o senador Pedro chaves, representante do meu partido, e ele me falou que vota contra", informou.Elias Ishy (PT) ressaltou que os grandes prejudicados são os trabalhadores que recebem salários. "Com 65 anos ele nem emprego tem. Você imagina com a aprovação dessa proposta. É uma maldade com o povo brasileiro", diz. Ele informou também que os deputados federais por MS Vander Loubet e Zeca do PT já afirmaram que votam contra. "O Geraldo [Resende, do PMDB] já disse também que do jeito que está ele vota contra", lembrou o vereador.Junior Rodrigues (PR) disse que compartilha da indignação de todo o povo brasileiro. "O brasileiro tomou um choque com os políticos. Me assusta a atitude que os políticos estão tomando para prejudicar o brasileiro e o trabalhador. Parecia que ia melhor com o Michel [Temer, presidente da República] e agora vem a decepção. A voz do povo é a voz de Deus. Precisamos continuar indo às ruas para mostrar a indignação", disse.